O Império Romano explicado: imperadores, expansão e queda
Rome: Guided Tour of Colosseum, Roman Forum & Palatine Hill
Quanto tempo durou o Império Romano e quais foram os seus imperadores mais importantes?
O Império Romano está convencionalmente datado de 27 a.C. (quando Augusto se tornou o primeiro imperador) a 476 d.C. (quando o último imperador ocidental foi deposto) — um período de 503 anos. Os imperadores mais relevantes para os visitantes incluem Augusto (que transformou Roma fisicamente), Nero (que construiu a Domus Aurea), Vespasiano e Tito (que construíram o Coliseu), Adriano (que reconstruiu o Panteão e edificou o seu mausoléu — hoje Castel Sant'Angelo) e Constantino (que legalizou o Cristianismo). O Império Oriental continuou até 1453 d.C.
O Império que ainda se pode percorrer a pé
Quando os turistas visitam Roma, estão a visitar em grande parte o Império Romano — não a República, não a Roma medieval, não o Renascimento. O Coliseu é um edifício imperial. O Panteão tal como existe é uma reconstrução imperial. O Arco de Constantino, as Termas de Caracala, a Coluna de Trajano — todos são produtos da era imperial.
Compreender quem os construiu, quando e porquê transforma a experiência de estar diante deles. Este guia abrange os cinco séculos de história imperial romana com o nível de detalhe que um viajante realmente precisa: quem foram os imperadores, o que deixaram para trás e o que pôs fim a tudo.
Augusto e a invenção do imperador (27 a.C. – 14 d.C.)
O Império não começou com um golpe de Estado ou uma proclamação formal. Começou com uma acumulação cuidadosa e decenal de poderes por um único homem — Gaio Octávio, adotado postumamente por Júlio César e conhecido pela história como Augusto.
O assassinato de César em 44 a.C. desencadeou mais uma rodada de guerras civis. A última delas, entre Otaviano e Marco António (aliado de Cleópatra do Egito), terminou com a Batalha de Áccio em 31 a.C. e os suicídios de António e Cleópatra. Otaviano ficou como único poder no mundo romano.
Em 27 a.C., realizou um ato teatral de “restauração” — devolvendo ao Senado os seus poderes extraordinários. O Senado, previsivelmente, devolveu-os, acrescentando o título honorífico de “Augusto” (o venerado) e “Princeps” (o primeiro cidadão). Esta fórmula — manter as formas republicanas enquanto detinha o poder real — foi a ficção constitucional que permitiu ao Império funcionar durante séculos.
Augusto reinou durante 44 anos e transformou Roma fisicamente. Organizou a cidade em 14 regiões administrativas e afirmou ter encontrado Roma uma cidade de tijolos e a ter deixado uma cidade de mármore. O seu programa de construção incluiu:
- O Foro de Augusto, com o Templo de Marte Vingador, construído em cumprimento de um voto antes da Batalha de Filipos
- A Ara Pacis Augustae (Altar da Paz Augustana), hoje no seu museu dedicado na Via Flaminia — uma das mais belas peças de propaganda augustana em relevo escultórico
- O Mausoléu de Augusto na Via Flaminia, há muito negligenciado e agora em restauração
- A transformação do Foro Romano numa montra imperial
- O Panteão (construído inicialmente pelo seu general Agripa, embora o edifício atual date da reconstrução de Adriano)
O período augustano também produziu a maior parte da literatura latina clássica: Virgílio escreveu a Eneida sob patronato imperial, Horácio e Ovídio floresceram, e Tito Lívio escreveu a sua história de Roma — todos direta ou indiretamente ligados ao programa cultural de Augusto.
Os Júlio-Cláudios: dinastia e desastre (14–68 d.C.)
Augusto estabeleceu um princípio dinástico — imperadores que se sucedem por laço familiar ou adoção — apesar de não ter autoridade constitucional para isso. Os seus sucessores através da dinastia Júlio-Cláudia demonstraram as vantagens e a fragilidade extrema do sistema.
Tibério (14–37 d.C.) foi um administrador eficaz que se retirou de Roma para Capri no final do seu reinado, governando por correspondência e dependendo cada vez mais do prefeito pretoriano Sejano — um precedente perigoso.
Calígula (37–41 d.C.) começou prometendo, mas descambou (segundo os relatos das fontes antigas) para a megalomania e a violência imprevisível. Foi assassinado pela Guarda Pretoriana após menos de quatro anos.
Cláudio (41–54 d.C.) — escolhido pelos pretorianos em grande parte porque estava disponível — provou ser um administrador capaz que concluiu a conquista da Grã-Bretanha em 43 d.C.
Nero (54–68 d.C.) é o imperador mais fisicamente presente em Roma hoje, embora principalmente pelas ruínas da sua extravagância. Após o Grande Incêndio de 64 d.C. (do qual Nero quase certamente não foi responsável, embora o tenha aproveitado), apropriou-se de uma vasta faixa do centro de Roma para construir a Domus Aurea — a sua Casa Dourada, um complexo palatino que cobria o que é agora a área entre o Monte Palatino, o vale do Coliseu e a Colina Celio. Após a morte de Nero, os seus sucessores construíram por cima, enchendo-a de entulho e erguendo o Coliseu no vale do seu lago privado. Os tetos pintados da Domus Aurea, redescobertos durante o Renascimento, foram visitados por Michelangelo, Rafael e outros artistas — o estilo decorativo “grotesco” deriva o seu nome dos quartos subterrâneos semelhantes a grutas.
A Domus Aurea hoje oferece visitas guiadas com reconstruções de realidade virtual — uma das experiências antigas mais invulgares e pouco visitadas de Roma.
Os Flávios e o Coliseu (69–96 d.C.)
A morte de Nero em 68 d.C. desencadeou o “Ano dos Quatro Imperadores” — quatro candidatos rivais num único ano — antes de Vespasiano (69–79 d.C.) surgir como fundador da dinastia Flávia. A sua administração prática e fiscalmente responsável restaurou a estabilidade após a extravagância de Nero.
O seu legado mais visível: o início da construção do Anfiteatro Flávio, que conhecemos como Coliseu. A construção começou por volta de 72 d.C., parcialmente financiada pelos despojos do saque de Jerusalém em 70 d.C. O Arco de Tito no Foro Romano mostra soldados romanos a transportar a Menorá e outros tesouros do Templo de Jerusalém em triunfo.
Tito (79–81 d.C.) completou e inaugurou o Coliseu em 80 d.C. com 100 dias de jogos. O seu reinado de dois anos também incluiu a erupção do Vesúvio em 79 d.C. e um grande incêndio em Roma — catástrofes às quais respondeu com generosidade, ganhando uma reputação histórica invulgarmente positiva.
Domiciano (81–96 d.C.) construiu extensivamente no Monte Palatino, criando o complexo do Palácio Flávio que se tornou o modelo para todas as residências imperiais subsequentes (e do qual deriva a nossa palavra “palácio”, via Palatino). O seu reinado terminou em assassinato, e o Senado condenou a sua memória — daí a relativa ausência do seu nome nos monumentos sobreviventes.
O tour guiado do Coliseu, Foro Romano e Monte Palatino abrange o anfiteatro flávio e o complexo do palácio imperial em detalhe — o circuito essencial da Roma antiga.Os Cinco Bons Imperadores: o auge (96–180 d.C.)
O século após o assassinato de Domiciano é frequentemente chamado de era de ouro do Império. Cinco imperadores em sucessão — Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio — cada um adotou um sucessor capaz em vez de depender da hereditariedade familiar, e cada um se revelou um governante eficaz.
Trajano (98–117 d.C.) expandiu o Império à sua extensão territorial máxima, conquistando a Dácia (atual Roménia) em duas campanhas e depois a Mesopotâmia. A Coluna de Trajano no foro que leva o seu nome narra as campanhas dácias em 155 cenas contínuas de relevo esculpido — o documentário militar mais detalhado do mundo antigo. Os Mercados de Trajano, o complexo comercial de vários andares adjacente ao seu foro, estão entre as estruturas antigas melhor preservadas de Roma e podem ser visitados no museu da Via dei Fori Imperiali.
Adriano (117–138 d.C.) reverteu a conquista mesopotâmica de Trajano por ser estrategicamente insustentável e consolidou as fronteiras existentes (a Muralha de Adriano na Grã-Bretanha sendo o exemplo mais famoso). Era um imperador-arquiteto: o Panteão tal como existe hoje é a sua reconstrução (por volta de 125 d.C.), uma obra-prima geométrica cuja cúpula permaneceu a maior do mundo durante mais de 1.300 anos. O seu mausoléu sobre o Tibre — o Castel Sant’Angelo — foi convertido em fortaleza por papas posteriores e ainda domina o rio perto do Vaticano.
A inscrição do Panteão ainda diz “M·AGRIPPA·L·F·COS·TERTIVM·FECIT” — Marcus Agrippa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez, construiu isto — preservando o nome do edifício original da era augustana que a estrutura de Adriano substituiu.
O tour guiado do Panteão com ingresso abrange a obra-prima geométrica de Adriano — o edifício romano antigo mais bem preservado e o que influenciou mais diretamente toda a tradição arquitetônica ocidental.Marco Aurélio (161–180 d.C.) passou grande parte do seu reinado na fronteira do Danúbio, combatendo incursões germânicas que prefiguravam as pressões que acabariam por fragmentar o Império Ocidental. O seu bronze equestre (uma cópia está na Piazza del Campidoglio; o original está nos Museus Capitolinos) é a única estátua equestre romana antiga completa a ter sobrevivido — sobreviveu porque os romanos medievais identificaram erroneamente a figura como Constantino, o primeiro imperador cristão.
Crise e recuperação: o século III (180–284 d.C.)
Marco Aurélio quebrou a sucessão adotiva ao designar o seu filho biológico Cômodo como sucessor — uma escolha catastrófica. O reinado errático e cada vez mais perigoso de Cômodo terminou em assassinato em 192 d.C., desencadeando outra guerra civil. O “Ano dos Cinco Imperadores” em 193 d.C. foi resolvido por Septímio Severo, um general norte-africano que fundou a dinastia Severiana.
Caracala (198–217 d.C.), filho de Severo, é lembrado principalmente por duas coisas: matar o seu co-imperador irmão Geta (cujo rosto foi posteriormente removido de todos os monumentos) e construir o maior complexo de banhos que Roma já vira. As Termas de Caracala cobriam 27 hectares e podiam acomodar até 1.600 banhistas em simultâneo. Funcionaram até o rei ostrogodo Vitígio cortar os aquedutos em 537 d.C.
A crise do século III (235–284 d.C.) foi uma experiência de quase morte para o Estado romano. Cerca de 50 imperadores reinaram e morreram violentamente em 50 anos. A economia estava em crise, a moeda desvalorizada, as fronteiras sob pressão simultânea de tribos germânicas ao norte e da Pérsia Sassânida a leste. Várias regiões separaram-se como impérios independentes (o Império Gálico a ocidente, o Império de Palmira a oriente). Roma sobreviveu a este período — por muito pouco.
Constantino e o Império cristão (284–395 d.C.)
Diocleciano (284–305 d.C.) estabilizou a crise introduzindo a Tetrarquia — dividindo a autoridade imperial por quatro governantes — e expandindo dramaticamente a burocracia. As suas reformas administrativas tornaram o Império governável novamente, mas também semearam as sementes de divisões futuras.
Constantino (306–337 d.C.) reunificou o Império após uma nova guerra civil. A sua vitória sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvia em 312 d.C. — travada logo ao norte de Roma, onde a ponte hoje chamada Ponte Milvio ainda existe — foi seguida pelo Édito de Milão em 313 d.C., legalizando o Cristianismo em todo o Império. Se a conversão de Constantino foi genuína ou politicamente calculada continua a ser debatida; o que é certo é que as suas consequências foram enormes.
O Arco de Constantino, erguido em 315 d.C. adjacente ao Coliseu, celebra a sua vitória. É de notar que grande parte da sua decoração escultórica foi retirada de monumentos anteriores — de Trajano, Adriano, Marco Aurélio — no que os historiadores de arte chamam de “espoliação”, uma reciclagem de arte anterior que conta a sua própria história sobre a relação mutante do Império com o seu passado.
Constantino fundou Constantinopla (atual Istambul) em 330 d.C. como nova capital oriental, deslocando permanentemente o centro de gravidade do Império para leste.
O Império dividido e o colapso ocidental (395–476 d.C.)
O Imperador Teodósio (379–395 d.C.) tornou o Cristianismo não apenas legal mas obrigatório — o paganismo foi formalmente proibido. Foi o último imperador a governar um Império unido; à sua morte em 395 d.C., foi dividido entre os seus filhos: Honório a ocidente, Arcádio a oriente.
O século V viu o Império Ocidental desintegrar-se sob pressões que já não conseguia conter. Os Visigodos saquearam Roma em 410 d.C. — o primeiro saque em 800 anos, um evento que enviou ondas de choque por todo o Mediterrâneo. Agostinho de Hipona escreveu A Cidade de Deus em parte em resposta aos romanos que perguntavam porque Deus havia permitido o saque da Sua cidade. Os Vândalos saquearam Roma novamente em 455 d.C.
O último imperador ocidental, Rômulo Augústulo, foi deposto pelo líder germânico Odoacro em 476 d.C. — a data convencional do fim do Império Romano Ocidental. Vale a pena notar que os contemporâneos não necessariamente perceberam isso como uma “queda” definitiva — o Império Oriental continuou, e Odoacro e os seus sucessores governaram inicialmente em nome do imperador oriental.
O Império Oriental: mais mil anos
A “queda de Roma” que os manuais escolares descrevem é especificamente o Império Ocidental. O Império Romano Oriental, centrado em Constantinopla, continuou por quase mais mil anos — até o sultão otomano Mehmed II conquistar Constantinopla em 1453 d.C.
O Império Oriental, conhecido pelos historiadores modernos como Império Bizantino (embora se chamassem a si próprios romanos), preservou o direito romano, a literatura e a cultura administrativa. Justiniano I (527–565 d.C.) brevemente reconquistou a Itália dos Ostrogodos e consolidou o direito romano no Corpus Juris Civilis — a base do direito civil europeu. O seu general Belisário saqueou Roma em 536 d.C. no processo, e as contra-campanhas que se seguiram deixaram Roma em ruínas.
O direito romano, a língua administrativa romana (o latim, a transformar-se nas línguas românicas), o Cristianismo romano e o urbanismo romano persistiram muito depois de as legiões terem partido. Nesse sentido, a influência do Império Romano não caiu em 476 d.C. — simplesmente se transformou no mundo que ainda habitamos.
Para a história de como a identidade política de Roma transitou do império para o papado, consulte o guia sobre os papas e o papado em Roma. Para a mitologia que sustentou a identidade imperial romana, consulte a mitologia romana na cidade. E para o circuito completo da Roma antiga que se pode percorrer hoje, consulte o guia de Roma antiga num dia.
O tour de Roma Antiga com acesso sem fila abrange o Coliseu com comentário histórico especializado — a melhor forma de entender o edifício como o instrumento político que foi concebido para ser.Perguntas frequentes sobre O Império Romano explicado: imperadores, expansão e queda
Qual é a diferença entre a República Romana e o Império Romano?
Qual foi a extensão máxima do Império Romano?
Por que caiu o Império Romano?
O que aconteceu com Roma depois de o Império cair?
Quais imperadores romanos ainda são visíveis em Roma hoje?
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