Skip to main content
Piazza Navona: Bernini, barroco e o que evitar

Piazza Navona: Bernini, barroco e o que evitar

Trevi, Pantheon & Spanish Steps Guided English Walking Tour

Verificar disponibilidade

O que tem de especial a Piazza Navona e vale a pena visitar?

A Piazza Navona é a mais bela praça barroca de Roma — um oval de 270 metros construído sobre o antigo estádio de Domiciano, ancorado pela Fonte dos Quatro Rios de Bernini (1651) ao centro. É gratuita, aberta 24 horas, e está no seu melhor cedo de manhã ou ao final da noite quando a densidade turística diminui. Os restaurantes circundantes são caros; as fontes e a arquitetura são genuinamente extraordinárias.

O oval mais belo de Roma

A Piazza Navona funciona a todas as escalas. De cima — e existe uma vista de rooftop no hotel acima do Ristorante del Governo Vecchio — lê-se como um oval alongado perfeito, um percurso de atletismo antigo fossilizado em forma urbana. Ao nível do chão, é um dos espaços públicos mais teatrais da Europa: a fonte de Bernini ao centro, a fachada da Igreja de Borromini a oeste, palácios barrocos de todos os lados e a vida quotidiana de Roma a acontecer à sua volta.

Não custa nada entrar. As fontes funcionam constantemente. E a maioria dos visitantes, francamente, não a lê corretamente — chega ao meio-dia, fotografa a dois metros de distância e passa mais tempo nos cafés caros do que a olhar para a arquitetura.

Este guia é sobre como ler bem a Piazza Navona.

A forma: o que o oval significa

A característica pegada oval alongada da praça não é uma ideia de arquiteto. É o contorno exato do Stadio di Domiziano — o Estádio de Domiciano, construído em 86 d.C. como um local de atletismo e corrida de carruagens com 30.000 lugares. O piso da arena é agora o nível da praça. As bancadas tornaram-se os edifícios circundantes. As estruturas medievais e barrocas que se veem em volta foram literalmente construídas sobre o esqueleto do estádio antigo.

Pode confirmar isto visitando o museu subterrâneo na extremidade norte da praça (Piazza di Tor Sanguigna, entrada na rua lateral). O museu expõe os antigos túneis e passagens abaixo da superfície moderna. É barato, raramente concorrido e dá um contexto esclarecedor para toda a praça. Consulte o nosso guia dos sítios subterrâneos de Roma para mais sobre a camada subterrânea da cidade.

O nome “Navona” é uma corrupção de “in agone” — nos jogos — a versão medieval italiana do que o estádio era utilizado. Alguns relatos relacionam-no com a palavra “navona” relacionada com água (a praça foi periodicamente inundada no verão, dos séculos XVII ao XIX, como ritual refrescante para os romanos que vadejavam nas águas rasas enquanto os abastados observavam de carruagens).

A Fonte dos Quatro Rios: uma visão pausada

A maioria dos visitantes passa 30 segundos a fotografar a Fonte dos Quatro Rios. Passe dez minutos em vez disso.

A fonte foi encomendada pelo Papa Inocêncio X Pamphilj em 1647 e concluída por Gian Lorenzo Bernini em 1651. Foi uma encomenda que Bernini quase não conseguiu — Inocêncio X tinha inicialmente excluído Bernini da consideração depois de este ter estado intimamente associado ao papa Barberini anterior. Bernini reconquistou a encomenda através de uma manobra que se tornou uma das histórias mais contadas do mundo artístico romano: fez colocar secretamente uma maqueta no Palazzo Pamphilj onde o papa a encontraria, e o interesse de Inocêncio X foi captado. A encomenda seguiu-se.

O obelisco: Um obelisco feito pelos romanos (não egípcio mas uma cópia romana de uma forma egípcia, esculpido durante o reinado de Domiciano) que tinha estado deitado em pedaços no Circo de Maxêncio na Via Ápia. Bernini não só o re-ergueu mas colocou-o sobre uma base oca — uma realização técnica que deslumbrou os contemporâneos. O obelisco assenta sobre uma formação rochosa através da qual se pode ver o céu e a água a passar, dando-lhe uma aparente leveza.

As quatro figuras dos rios:

  • O Nilo (África): Uma figura musculosa encapuzada com o rosto coberto — porque a fonte do Nilo era desconhecida dos europeus em 1651. O gesto exprime ignorância geográfica em escultura. A figura está também rodeada de vegetação luxuriante.
  • O Danúbio (Europa): Uma figura barbada a estender o braço em direção ao brasão papal na fonte — um gesto de deferência e homenagem ao mecenato de Inocêncio X.
  • O Ganges (Ásia): Uma figura a segurar um longo remo, referenciando a navegabilidade do rio.
  • O Rio da Prata (Américas): A figura mais frequentemente mostrada com o braço levantado, popularmente afirmada estar a proteger os olhos da Igreja de Borromini. É acompanhada de tatus, cobras e moedas — representando as riquezas do Novo Mundo.

A história de Borromini: O Nilo cobre o rosto não para evitar ver a fachada de Borromini; a fonte foi concluída antes de Borromini assumir a Igreja. O braço levantado do Rio da Prata foi explicado pelos primeiros comentadores como um gesto de horror perante a supostamente instável Igreja de Borromini. Ambas as interpretações são imposições post-hoc — os gestos são poses barrocas expressivas escolhidas pelo drama visual, não comentário arquitetónico. Mas a rivalidade entre Bernini e Borromini era real e documentada, e a Piazza Navona foi onde os seus trabalhos se defrontaram diretamente. É o sítio mais concentrado da maior rivalidade arquitetónica do século XVII.

A Igreja: Sant’Agnese in Agone

A contribuição de Borromini para a Piazza Navona é a Igreja de Sant’Agnese in Agone, no lado oeste da praça. A fachada (1653–1655) é a declaração pública mais importante de Borromini em Roma — uma composição côncava que empurra as duas torres sineiras para o exterior para fazer a cúpula central parecer sobressair para a frente, um truque ótico que cria profundidade e drama impossível com uma fachada plana convencional.

Entre. Não custa nada e costuma ser tranquila. O interior é pequeno e concentrado — uma planta de cruz grega com cúpula central e abundante mármore de cores por toda a parte. A planta do chão contém a cripta da família Pamphilj (tipicamente não acessível). Uma câmara subterrânea marca o local tradicional do martírio de Santa Inês (era uma menina cristã romana executada em 304 d.C. com aproximadamente 12 anos; o seu nome e a ligação do estádio a concursos deram à Igreja o seu nome).

A Igreja é uma paróquia em funcionamento e abre para missas. Visitar fora dos horários de missa é simples; as portas estão tipicamente abertas das 09:30 às 12:30 e das 15:00 às 19:00.

As fontes laterais

Fonte de Neptuno (norte): O grupo escultórico principal — Neptuno a combater um monstro marinho, rodeado de cavalos marinhos e Nereidas — foi acrescentado em 1878 por Antonio della Bitta para corrigir o desequilíbrio visual de uma bacia vazia. A própria bacia é do século XVI. A composição é competente mas não está ao nível da fonte central. Vale um olhar atento; frequentemente descartada pela sua proximidade com a obra maior.

Fonte do Mouro (sul): A figura central (uma figura de pele escura a lutar com um golfinho, daí “Moro”) foi concebida por Bernini em 1653 com base num esboço de Giacomo della Porta. Os Tritões e figuras circundantes são de della Porta (1576). A composição é harmoniosa e a figura do Mouro é uma das criações mais enérgicas de Bernini — a torcer-se dinamicamente contra o golfinho. Frequentemente completamente ignorada.

Visita de passeio a pé guiada pela Piazza Navona, Fontana di Trevi, Panteão e as Escadas de Espanha — o circuito completo do Roma barroco numa manhã.

O que realmente rodeia a praça

Palazzo Pamphilj (atualmente a Embaixada do Brasil): O enorme palácio diretamente atrás de Sant’Agnese in Agone foi construído para a família do Papa Inocêncio X, projetado em parte por Borromini. Geralmente não está aberto ao público.

Palazzo Braschi (Museo di Roma): No canto sudeste da praça, este palácio neoclássico (final do século XVIII) alberga o museu de história municipal de Roma. A coleção cobre Roma do período medieval ao século XX e é interessante se quiser ver como a cidade era antes do turismo moderno a transformar.

Pasticceria Bar Tre Scalini: O café na extremidade sul da praça é famoso pelo seu tartufo — uma bola de gelado de chocolate com uma cereja no centro. É caro em relação às gelatarias do bairro (espere pagar €8+ por um tartufo na mesa) mas a receita não mudou desde os anos 1940 e é genuinamente excelente. Se vai pagar preços premium de praça por algo aqui, o tartufo é a coisa pela qual os pagar.

A avaliação das armadilhas turísticas

Restaurantes na praça: Com preços significativamente superiores em relação a comida comparável a uma rua de distância. A vista é agradável; o valor não é. Se quiser comer perto da Piazza Navona, caminhe até à Via del Governo Vecchio ou à Via della Pace — ambas a três minutos e num mundo de preços diferente.

Artistas de retrato: Geralmente habilidosos e não agressivamente insistentes, mas os seus preços são elevados (€20–60 por um esboço rápido). Se quiser fazer um como lembrança, tudo bem; apenas concorde no preço antes de se sentar.

“Vendedores de rosas”: Tipicamente visam casais com rosas únicas, depois tornam-se insistentes sobre o pagamento depois de a rosa ser aceite. Simplesmente não aceite a rosa de ninguém que se aproxime a oferecê-la. Isto aplica-se em todo o centro de Roma.

Carruagens puxadas a cavalos: Caras, lentas, e os cavalos estão frequentemente em mau estado. Não é uma forma recomendada de ver a cidade.

Mercado de Natal (final de novembro a início de janeiro): O mercado sazonal que enche a Piazza Navona é uma tradição romana genuína, mas tornou-se muito comercializado e os preços para comida e bugigangas estão elevados. É envolvente e vale um passeio de 30 minutos; não é onde se deve fazer as compras de Natal.

Quando visitar

Cedo de manhã (07:00–09:30): A melhor altura. A praça está tranquila, a luz é boa para fotografia e vê-se os romanos a passear cães e a tomar o pequeno-almoço nos cafés a preços normais. Esta é a Piazza Navona que os residentes conhecem.

Meio-dia: Movimentado mas não avassalador pelos padrões de Roma. As fontes estão completamente ao sol para boas fotografias.

Noite (19:00–22:00): A mais envolvente para uma visita casual — luz noturna, restaurantes a abrir, as fontes iluminadas. Mas os preços dos restaurantes estão completamente no modo turístico.

Temporada do mercado de Natal: Concorrida, festiva e genuinamente romana. Se estiver a visitar em dezembro, vale a pena ver. Se não estiver a visitar em dezembro, ignore isto como consideração.

Visita de passeio privada focada na Fontana di Trevi e na Piazza Navona — o seu próprio guia com tempo para explorar ambos os espaços em profundidade e fazer perguntas.

A praça em contexto

A Piazza Navona é o cartão de visita do Centro Storico, o coração histórico de Roma. Está rodeada de algumas das melhores ruas de passeio da cidade — a zona entre Navona, Campo de’ Fiori e o Panteão está densa de igrejas mais pequenas, palácios renascentistas, oficinas de artesãos e vida romana quotidiana.

Para entender melhor esta área, combine uma visita a Navona com o guia do Panteão (10 minutos a pé a leste), um passeio pela Via del Governo Vecchio (uma das ruas medievais melhor preservadas de Roma) e uma paragem no Campo de’ Fiori para o mercado matinal. O nosso guia das melhores praças de Roma cobre várias praças adjacentes à Navona que a maioria dos visitantes nunca alcança.

Para o circuito de passeio mais amplo que liga Navona, a Trevi e as Escadas de Espanha, consulte o nosso guia do Roma barroco em passeio.

Notas de fotografia

A Fonte dos Quatro Rios é melhor fotografada:

  • Da extremidade sul da praça olhando para norte, que captura a altura total do obelisco e a fachada da Igreja atrás
  • Do canto sudeste para incluir Sant’Agnese in Agone no mesmo enquadramento
  • À noite quando a fonte está iluminada e a praça está relativamente vazia — embora o contraste de temperatura de luz entre o travertino branco iluminado e o céu escuro requeira alguma gestão de exposição

A praça é suficientemente larga para que seja preciso estar a 15–20 metros de distância para capturar a composição completa da fonte central. Uma objetiva equivalente a 24–35 mm (telemóvel ou câmara) funciona bem a esta distância.

Os melhores spots de fotografia em Roma cobre as posições e horários específicos para as melhores fotos de Navona ao lado dos outros locais principais de Roma.

Perguntas frequentes sobre Piazza Navona: Bernini, barroco e o que evitar

A Piazza Navona é gratuita para visitar?

Sim. A Piazza Navona é uma praça pública sem taxa de entrada, sem bilhete e sem requisito de acesso com hora marcada. Está aberta continuamente. As fontes são gratuitas para ver. O custo, se houver, vem dos cafés e restaurantes circundantes, que cobram significativamente acima dos preços do bairro.

Quais são as três fontes na Piazza Navona?

A Fonte dos Quatro Rios central (Fontana dei Quattro Fiumi, 1651) é a obra-prima de Bernini, representando os rios Nilo, Danúbio, Ganges e Rio da Prata a suportar um obelisco romano. A Fonte de Neptuno (extremidade norte) mostra Neptuno a combater um monstro marinho, com cavalos marinhos e figuras em torno da bacia; o grupo central foi acrescentado em 1878 por Antonio della Bitta. A Fonte do Mouro (extremidade sul) é também em parte obra de Bernini (1653) — a figura central de um Mouro segurando um golfinho foi concebida por Bernini; os Tritões circundantes foram acrescentados mais tarde.

Qual é a história de Bernini versus Borromini na Piazza Navona?

A história famosa diz que Bernini representou a figura do Nilo a cobrir o rosto para não ver a Igreja de Sant'Agnese in Agone de Borromini do outro lado da praça. Os dois arquitetos eram rivais ferrenhos — Borromini sentia-se profissionalmente preterido pelo domínio de Bernini sob o mecenato papal. No entanto, a história é falsa: Bernini completou a fonte em 1651, e Borromini só assumiu a fachada de Sant'Agnese em 1652. Mas a própria rivalidade era real e intensa, e a história sobreviveu 370 anos precisamente porque é tão satisfatória.

O que está por baixo da Piazza Navona?

O antigo Estádio de Domiciano (86 d.C.), um local de atletismo com 30.000 lugares cuja pegada define a forma da praça moderna. As ruínas subterrâneas são acessíveis pelo museu Stadio di Domiziano, com entrada na Piazza di Tor Sanguigna na extremidade norte da praça. O museu não está concorrido e dá uma boa noção da estrutura romana abaixo dos seus pés.

Quando está a Piazza Navona no seu melhor?

Cedo de manhã (antes das 09:30) quando os empregados de limpeza terminaram e os restaurantes ainda não abriram — vê-se a praça como os romanos a usam, com passeadores de cães e trabalhadores em deslocamento. As noites são envolventes mas os restaurantes enchem-se de turistas. A temporada do mercado de Natal (final de novembro a início de janeiro) transforma a praça num mercado tradicional com atrações, bancas de comida e iluminação; concorrido mas festivo.

O que devo evitar na Piazza Navona?

Os restaurantes imediatamente na praça são caros em relação à qualidade — a mesma massa que custa €12 nas ruas circundantes custa €22 com vista para a praça. Os artistas de retrato (habilidosos mas persistentes) e os 'vendedores de rosas' que abordam turistas do sexo feminino. Os passeios de carruagem puxada a cavalo oferecidos em torno do limite da praça são caros e os cavalos estão frequentemente em más condições.

Vale a pena visitar a Igreja de Sant'Agnese in Agone?

Sim e é gratuita. A fachada de Borromini (1653) é a sua criação côncava mais teatral. O interior é pequeno mas ricamente decorado com mármore de cores. A Igreja fica sobre o local onde, segundo a tradição, Santa Inês foi martirizada — uma câmara abaixo indica a localização. Está aberta a maioria das manhãs e é consistentemente subvalorizada dada a sua importância arquitetónica.

Melhores experiências

Atividades reserváveis com preços verificados e confirmação imediata no GetYourGuide.