Erros de mala que as pessoas cometem antes de uma viagem a Roma
Roma é uma cidade de caminhada construída sobre ruas de pedra irregular, uma cidade onde o tempo pode oscilar entre sol escaldante e trovoada da tarde no mesmo dia de junho, e uma cidade onde lhe pedirão que cubra os ombros em pelo menos cinco igrejas diferentes. Recompensa quem faz a mala com sensatez e penaliza quem não o faz.
Estes são os erros que vejo com mais frequência — alguns óbvios, outros menos.
Os sapatos errados, e demasiados pares
Este é o erro de mala mais comum e mais dispendioso. As ruas de Roma têm calçamento de pedra. Os sanpietrini — as pequenas pedras de basalto ligeiramente convexas que cobrem vastas extensões do centro histórico e de Trastevere — são belas e absolutamente brutais para a maioria do calçado. Os chinelos arruínam os pés ao segundo dia. Os sapatilhos novos provocam bolhas ao terceiro dia. Os saltos, mesmo os modestos, são uma forma de automutilação nas ruas romanas.
O que realmente precisa: um ou dois pares de sapatos que já rodou, com amortecimento razoável e salto plano ou mínimo. Sandálias de couro (devidamente rodadas) funcionam bem no verão. Bons sapatos de caminhada ou sapatilhos que usa há pelo menos um mês funcionam durante todo o ano. O teste: conseguia caminhar 18.000 passos com estes sapatos sem pensar neles? Se sim, leve-os. Se não, deixe-os.
O outro erro com sapatos: levar quatro pares. Usará dois no máximo. O espaço e o peso têm melhor utilidade noutros itens.
Cobertura inadequada para as igrejas
Roma tem cerca de 900 igrejas. Vai querer entrar em pelo menos uma dúzia delas, porque a maior arte da cidade — Caravaggio em Santa Maria del Popolo e San Luigi dei Francesi, os mosaicos em Santa Maria in Trastevere, as camadas subterrâneas de San Clemente — está dentro dessas igrejas.
Todas as igrejas de Roma têm um código de vestuário: ombros cobertos, joelhos cobertos. Aplica-se a todos os géneros e é fiscalizado com graus variáveis de rigor. O Vaticano é o mais estrito — o pessoal de segurança na entrada principal recusa mesmo a entrada se estiver de calções ou camisola sem mangas.
A solução é simples: leve uma peça leve (uma camisa de linho, um lenço suficientemente grande para envolver os ombros, um casaco leve) que carregue durante o dia e ponha antes de entrar nas igrejas. Um pareo serve três funções: proteção solar, lenço e cobertura para a igreja. O erro que as pessoas cometem é não levar nada disto e depois comprar uma cobertura descartável cara a um vendedor em frente a São Pedro.
Demasiada mala para o verão, pouca para a primavera e outono
Roma em julho e agosto é genuinamente quente — as temperaturas sobem regularmente a 32–36°C e por vezes mais. O instinto é levar quase nada, o que leva a percorrer viagens de uma semana com os mesmos três conjuntos de roupa e a fazer roupa diariamente ou a usar as coisas mais vezes do que é confortável.
O erro oposto na primavera e no outono: fazer a mala a pensar nas fotografias que viu (ruas quentes e iluminadas pelo sol, pessoas com roupa leve) e chegar para descobrir que as noites de abril têm 12°C e que o terraço de Trastevere onde queria sentar-se exige um casaco a sério.
O clima de Roma por mês é aproximadamente: dezembro–fevereiro (fresco a frio, 5–15°C, pode chover consistentemente), março–abril (a aquecer mas variável, leve camadas), maio–junho (quente, cada vez mais quente, algumas trovoadas), julho–agosto (quente a muito quente, leve as roupas mais leves que tem), setembro–outubro (ainda quente, frio à noite a partir de meados de outubro), novembro (frequentemente cinzento e chuvoso, genuinamente frio à noite).
Faça a mala em conformidade. O guia best-time-to-visit-rome tem mais informação sobre o tempo a esperar mês a mês.
A situação dos adaptadores
Fichas europeias tipo F. As tomadas italianas aceitam tecnicamente também o tipo C (os dois pinos redondos sem ligação à terra). A maioria das tomadas modernas nos hotéis aceita ambos. O Reino Unido usa o tipo G (três pinos retangulares). Os EUA usam o tipo A/B.
O que isto significa na prática: se vier do Reino Unido ou da América do Norte, precisa de um adaptador. O que não precisa é de um conversor de voltagem — os telemóveis, portáteis e carregadores de câmara modernos são todos de dupla voltagem (100–240 V, está escrito no carregador). Verifique o seu; quase certamente dirá isso algures na ficha ou no transformador.
Um bom adaptador de viagem chega. Levar seis cabos USB e três carregadores quando tem dois portas USB no adaptador é peso desnecessário.
Demasiado dinheiro, denominações erradas
Itália está cada vez mais amigável para cartões. A maioria dos restaurantes, lojas e bilheteiras em Roma aceita Visa e Mastercard. Algumas trattorias mais pequenas, bancas de mercado e a ocasional caixa de donativos em igrejas ainda preferem dinheiro.
O erro é levar grandes quantias de dinheiro “por precaução”. Mais realista e útil: 50–80 EUR em notas pequenas (notas de 10 e 20). As notas grandes podem ser difíceis de trocar em pequenas lojas e bancas de mercado. As caixas multibanco (Bancomat) estão disponíveis em toda a cidade; use a caixa multibanco da rede do seu banco se possível para evitar taxas. As falsas caixas multibanco que acrescentam a sua própria sobretaxa de câmbio são marcadas de forma diferente — procure o logótipo do banco em vez da marca genérica “exchange”.
A bolsa errada para as zonas de carteiristas
O problema dos carteiristas de Roma está bem documentado e está a piorar — os roubos reportados aumentaram 68% nos últimos anos. As zonas de maior risco são a Linha A do metro (especialmente entre Termini e Ottaviano), as linhas de autocarro 40 e 64, e a própria estação de Termini.
O erro é levar uma bolsa que o torna um alvo fácil: uma mochila que usa às costas, uma bolsa com bolsos externos que não consegue ver, uma bolsa a tiracolo com fecho magnético. Os carteiristas em pares trabalham de forma muito eficaz nas escadas rolantes do metro e nos autocarros cheios.
O que funciona: uma bolsa a tiracolo com fecho que usa à frente, uma mochila de dia que mantém à frente em transportes, ou um cinto porta-documentos debaixo da roupa para passaportes e grandes quantias de dinheiro. Não precisa de ser paranoico — a grande maioria das visitas a Roma não envolve qualquer roubo — mas tornar-se um alvo mais difícil é senso comum básico.
Perfumes e artigos de higiene caros
As farmácias italianas (farmacie) e os supermercados vendem protetor solar, champô, pasta de dentes e artigos básicos de higiene perfeitamente bons, normalmente a preços razoáveis. Levar frascos de tamanho completo de tudo desperdiça espaço na mala e arrisca derrames. A exceção: se usa algo específico genuinamente difícil de encontrar (um artigo de prescrição, uma marca de cosmética específica, o seu tipo particular de solução para lentes de contacto), leve-o. Caso contrário, compre as coisas localmente se precisar.
O que as pessoas se esquecem de levar
Uma garrafa de água reutilizável. Roma tem cerca de 2.500 nasoni — fontes públicas de água potável correndo água fria e limpa — por toda a cidade. Pode encher uma garrafa em qualquer uma delas gratuitamente. Esta é genuinamente uma das melhores coisas de caminhar por Roma no verão, e torna a água engarrafada comercial essencialmente desnecessária para andar por aí.
Um carregador portátil de telemóvel. Um dia a caminhar por Roma facilmente esgota a bateria do telemóvel até ficar a uns míseros percentuais. Mapas, traduções, confirmações de bilhetes — o telemóvel faz muito trabalho. Uma pequena bateria externa custa quase nada e poupa muita ansiedade.
Uma capa de chuva leve ou guarda-chuva compacto, especialmente se visitar entre outubro e abril. A chuva de verão de Roma tende a ser intensa mas breve — o céu esvazia-se em quarenta minutos e depois o sol volta. Ser apanhado nela sem cobertura é desagradável; estar preparado é fácil.
Passeio de e-bike por Roma pelos melhores locais com pausa para gelado — num dia em que já chega de caminhar, uma e-bike permite cobrir mais território com menos castigo para os pés. Útil quando o calçamento de pedra está a ganhar.
A questão dos documentos
Imprima os bilhetes do Coliseu. Imprima os bilhetes do Vaticano. Imprima a reserva da Galeria Borghese. Os sítios culturais de Itália estão a melhorar com os códigos QR, mas a entrada do Coliseu em particular pode ter sinal fraco de telemóvel, e o processo de leitura do ecrã por vezes falha. Ter um suporte em papel não custa nada e poupa stress considerável na entrada.
Uma fotocópia da página de dados do passaporte, guardada separadamente do passaporte, é útil se o original for alguma vez perdido ou roubado. O original deve estar trancado no cofre do alojamento sempre que não seja necessário — uma foto da página do passaporte no telemóvel é aceite para a maioria dos fins quotidianos dentro de Itália.
O excesso de programação que não é físico
Tecnicamente não é um erro de mala mas merece ser incluído aqui: demasiada agenda. Roma recompensa a lentidão. As pessoas que mais veem da cidade raramente são as que reservaram o tour do Coliseu das 8h, o Vaticano da tarde, e as catacumbas na manhã seguinte. São as que deixam algumas horas sem plano e tropeçam no bairro de Monti numa tarde aleatória e encontram um excelente copo de vinho num pátio que não estavam à espera.
Faça a mala leve, planeie moderadamente, deixe espaço para a cidade o surpreender. Este é o conselho prático que nenhuma balança de bagagem consegue medir.
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